segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A cidade vinha de antes, quando acumulara medos e tensões que espreitavam por nesgas de toda a parte. Nem o brilho das flores a salvava. Por mais que se cantasse em esquinas e becos, havia sempre uma dúvida à espreita com réstia de olhar passando ao largo.
Não se adivinhava quem ousaria caminhar em frente, quem desafiaria a escuridão despindo as ruas. Era fria a cinza, correndo célere nas ervas que cresciam junto à solidez dos edifícios.
Às portas dos cafés, equilibravam-se vultos, deformações de sombras, fumegando nas mãos e pescoços, em murmúrios e resmungos sobre o nada que o silêncio trazia.
Os olhares observavam a noite como se chovesse numa espécie de sonho repleto de sentido em que não era possível saber o que dizia cada destino.
Só se perceberia que aquele era outro tempo quando Denz passasse, ante as vistas gerais, e sorrisse nas voltas, para fazer perguntas, em busca de uma identificação que lhe escaparia na massa informe desmoronando-se. Mas, por mais que se dissesse o contrário, nenhuma força destruiria a sua crença.