Descemos para a lagoa sob o silêncio arrepiante dos pássaros que levava a água a brotar das rochas rente aos musgos, quase sobrevoando a promessa das flores em cada recanto de curva que refulgia à passagem do sol capaz de tudo molhar em redor.
Fenos, ervas grossas, árvores caídas de troncos revirados à mostra, azul espalhado sobre o verde de toda a parte, lama escorregando ante os nossos pés em cuidados e desejos de pequenas descobertas ora deslizando nas folhas de tanta humidade e vegetação.
– Onde acaba esta ida ao fim do mundo para que eu possa começar de novo? – perguntei para dentro da minha voz, na certeza de que ninguém me ouvia.
Mas a resposta veio, directa e palpável, como se adivinhasse o meu pensamento na pausa de um caminho que os passos cada vez mais inclinavam:
– Vai mais devagar, espera por mim…
Depois, chegámos à lagoa e vimos que era funda e magra e secreta e fechada e verde como os ramos que a protegiam, abraçando, apertando, saudando as nervuras da água que tudo preenchia.