Há dois dias, estive a escrever sobre o momento em que, há mais de três décadas, cheguei a Lisboa. Não descrevi com rigor a forma como aconteceu, mas descrevi a forma como poderia ter acontecido se alguém com uma vida semelhante à minha tivesse chegado a Lisboa naquele ano, naquele preciso dia de Janeiro, embora entrando por Santa Apolónia e não pelo aeroporto.
Senti que havia uma outra Lisboa a receber-me e era essa precisamente a ideia. Uma Lisboa mais luminosa, mais intensa, mais vibrante. No fundo, a verdadeira Lisboa dos anos 70 do século passado somada a uma Lisboa que a passagem dos anos foi construindo no desejo da minha mente.
A Lisboa que vou escrever será bastante mais vertiginosa e trepidante do que a cidade que realmente conheci. A que vou escrever será a Lisboa da noite, dos fundos, dos ecos que fazem os lugares…