quinta-feira, 19 de maio de 2011

Há uma escrita para fora e uma escrita para dentro. Uma escrita para ser lida, para ser consumida com os olhos; e uma escrita para ser pensada, para ser absorvida pela alma do cérebro.
A escrita para fora é ligeira e descomprometida, enquanto a escrita para dentro é densa e demolidora. Para fora é o riso, para dentro é a lágrima. Para fora, o dia; para dentro, a noite.
Há também uma escrita que se direcciona um pouco para dentro e ao mesmo tempo um pouco para fora, mas essa acaba por não adiantar nada, por não servir ninguém. Não dá o suficiente para fora, nem dá o suficiente para dentro. Antes a que olha só para fora, ou a que olha só para dentro.
Eu cá apenas entendo a escrita que olha exclusivamente para dentro. Sei que dilacera, que devasta, mas não conheço outra.