quinta-feira, 5 de abril de 2012

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Ia sempre meia hora mais cedo esperar por Gilc, por vezes quarenta e cinco minutos, e assim tinha a sensação de ganhar tempo na sua companhia. A espera era uma forma de antecipar a presença de Gilc. Ao menos estava perto do que lhe dizia respeito.
Mesmo quando não se encontrava à porta da escola, passava parte do seu tempo na expectativa do instante em que Gilc lhe surgiria pela frente. E havia alturas em que se punha a contar as horas que faltavam para se ir sentar dentro do carro na rua onde se situava o estabelecimento em que Gilc estudava.
Quando lá chegava, entretinha-se a olhar em volta, demoradamente, minuciosamente, a fim de se familiarizar com dados que pudessem ser relevantes. Uma marca na parede, uma teia no gradeamento do portão de ferro, um pássaro poisado no fio da rua.
Havia gente que entrava e saía e que talvez tivesse passado por Gilc, que talvez tivesse andado distraída na sua sombra, ou que porventura lhe tivesse dispensado o olhar de um vago sorriso.
No carro, enquanto esperava, lia o jornal, ou um livro, estudava, tomava notas, fazia telefonemas para tratar de assuntos práticos. Havia um significado preciso nas coisas com que se ocupava enquanto esperava por Gilc. Era um tempo que lhe trazia um sentido maior. Que lhe dava uma noção acrescida de envolvimento e compromisso.