Nobe dançava na festa, sem parar, com os pares mais imprevisíveis, que surgiam de inumeráveis direções. Transbordava de diversão e emoção, por saber que dentro de pouco tempo deixaria de vez a terra onde nascera.
As pessoas estavam ao corrente do seu adeus. Partilhavam a sua efusão de sentimentos e queriam juntar-se ao ritmo dos passos que dava.
Ninguém lhe era indiferente naquela noite.
Havia sorrisos e expectativa, vibração a cada instante, mesmo que fosse apenas por um compasso de espera até entrar no rodopio da música que ganhava os corpos, desdobrando-os em movimentos rítmicos de inebriar.
A dança frenética não lhe trazia cansaço. Pelo contrário, quanto mais dançava mais leve e livre se sentia. Como se não houvesse maneira de segurar, por um momento, a irrequietude da sua despedida.
Dançar com Nobe era o sonho daquela hora iluminada na praça, ao som da banda que havia de ficar registada na fotografia embolorecida do tempo. Para que Nobe olhasse e visse os anos que tinha deixado para trás. De súbito, expostos, descarnados, desprovidos de uma mão que os amparasse.