Decidi começar mais cedo. Já não aguentava a espera. O fogo lavra em mim há demasiado tempo. Por receio de que venha a extinguir-se, avanço. Soube que Denz está em aflição e isso despoletou a minha necessidade. Não conheço Denz, mas falamos como se uma grande amizade nos unisse desde sempre. Denz passou a fazer parte destas páginas, de um momento para o outro. Inexplicavelmente. Desatou a contar-me a sua vida como se eu não pudesse deixar de ouvir o que tinha para dizer. É a primeira personagem, a primeira pessoa, a surgir no sopro destas noites de fogo. Não tinha a certeza sobre como haveria de as iniciar e então aproveitei o seu aparecimento. Denz nem sequer fazia parte do grupo de personagens que havia projetado para este entrecho. Surge do nada, sem aviso, como uma criação pura, desprovida de nexo. É uma rutura no texto ainda antes do texto acontecer. Uma rutura por antecipação. Denz é inteligente e sensível. Dá atenção a tudo, em permanência. Entrega-se de forma inexorável. Nada parece escapar-lhe. Começo a desconfiar de que a sua aparição me trouxe uma nova maneira de compreender. Era talvez o momento que eu aguardava para avançar.