domingo, 31 de março de 2013

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A noite eram os vapores que passavam ao longe no mar. Não sei explicar de outra maneira. Sempre ouvi falar em vapores acesos vigiando a costa adormecida. Por isso o escrevo sem reservas. Qualquer coisa neste tom, neste embalo de serão, enquanto Larj lê ao comprido na cama, a uma distância de milhares de quilómetros. Tem a câmara ligada para que eu possa estar mais perto dos seus movimentos, dos seus gestos, das suas ânsias noturnas.
Denz afirma que vai ser lindo e eu tenho a certeza de que tem razão. Vai ser porque já o é. Diz também que vai dar muito trabalho, mas isso não me preocupa. Só existo nesta escrita que me toma em todas as horas, que paulatinamente se apodera dos meus pertences mais insignificantes.
Os vapores hão de passar para que as nossas vozes deste lado corram a acenar-lhes, para que o rio os acolha e exponha a cidade à sua ameaça. Simples vapores, sem armas nem turistas, que subiram a barra até aos nossos olhos excitados de medo.
Depois, não faltou quem passasse noites e noites a falar daquilo, no Rossio e na praça da Figueira. Ninguém queria dormir. A noite era a nossa rua, junto aos vapores ancorados no Tejo.