Quando não está comigo e com Minn, Denz passa os fins de semana em casa a chorar. Sente-se só, sem ninguém por perto a acompanhar o peso da sua alma e, então, desaba. E quando não chora, sofre tanto como se chorasse. Ou sofre mais do que se chorasse. Não conheço Denz há muito tempo, por isso tenho de tomar cuidado com a minha aproximação. Não quero ferir os seus sentimentos. Tenho de entrar no seu mundo sem magoar, sem perturbar. Denz não merece o risco de um movimento brusco, o risco de uma pressão desadequada ou sem jeito.
A casa de Denz respira inteligência e sensibilidade por todos os poros. A seu convite, passei lá uns dias, sem qualquer ligação ao mundo, sem nada nem ninguém por companhia, a não ser os móveis. Foram dias repletos. Denz estava em toda a parte. Quanto mais sentia a sua falta, mais a sua presença se impunha em cada minuto, em cada reflexo de sombra. Se avançava para uma janela, punha-me a pensar quantas vezes Denz já tinha feito aquele percurso, quantas vezes já tinha caminhado na direção da claridade que a janela lhe trazia. Se avançava para a porta das traseiras, que dava para um pequeno quintal, punha-me a pensar nas correrias de Denz na infância atrás de um gato ou de uma borboleta. Denz era a sua própria casa. A casa de Denz transbordava de paz. Uma paz que lhe pertencia em exclusivo. Não havia outra maneira de a conhecer nem de atingir.