Sei que a cidade estará inundada de escuridão e que os passos da noite roçarão nas folhas das árvores ondulantes. Mas será uma escuridão luminosa, refulgente, vibrante, em cada minuto que passa. Não consigo alterar este destino. Por mais que queira, vejo-me na obrigação de o escrever, para o sentir de novo.
Quando me metia num autocarro com a ideia de fugir à vida que tinha, acabava por me apear numa rua qualquer, ou numa praça, onde havia gente discursando às duas da manhã, gente cantando, gente ouvindo, gente acreditando.
Eu deixava-me ficar, percebendo que não havia maneira de escapar ao que estava a suceder. Deixava-me ficar e ouvia, tentando compreender as palavras, algumas novas aos meus ouvidos.
Por volta das quatro da manhã, já quase ninguém se via na rua. E eu vinha andando a pé para o quarto do meu aluguer. Vinha rente às paredes, pensando no que me poderia acontecer, mais dia menos dia.