domingo, 31 de março de 2013

4
Um romance não tem onde começar nem acabar. É caos organizado que vai devorando os ossos, é vendaval, tempestade permanente, pressão levada ao limite, fuga aos olhares da massa de gente que passa nas páginas. Entra-se pela primeira porta que se encontra e não se sabe onde está a verdade. Nem vale a pena perder tempo a perguntar. Romance é escrita que não se escreve, é pensamento em turbilhão, é fúria mansa, é devassidão. É morrer por entrega, por exaustão, por martírio. É dedicar-se à busca do inalcançável. Procurando sempre, mesmo na certeza de que não há caminho.