domingo, 31 de março de 2013

5
Vejo o sol cair sobre a esplanada junto ao mar e o fogo da manhã atravessa-me como um frio. Falei com alguma pessoas que se abrigavam à volta das mesas. Rimos e dissemos disparates como se para afugentar uma ameaça que não se via.
Ontem, estive pouco com Larj. Trocámos umas palavras antes do meio-dia, mas logo depois tive de sair a correr.
À tarde, Denz apareceu. Chegou ao restaurante, sentou-se e desatou a falar pelas horas dentro. Não o escrevo com rigor. O infinito de Denz não o permite. Eu só tinha possibilidades de ouvir. E pensava no que faria com as palavras. Pensava nos lugares a que me conduziriam.
O ambiente era ponderado e aberto. Em redor, ouvia-se falar outras línguas. A música circulava por entre os vultos, enquanto íamos serpenteando amigavelmente pelo tempo que passava.
Quando estava a pagar a conta, vi que me acenavam de longe. Tive dificuldade em perceber de quem se tratava. Contornei o balcão e aproximei-me. Sur bebia um uísque e sorria, enquanto fumava descontraidamente.