sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ainda mal havíamos tido oportunidade de saborear o nosso reencontro e Denz caiu de cama por uma razão que não se percebia. Deixou-se abater pela fraqueza a um tal ponto que me vi na necessidade de recorrer à ajuda de Minn.
Poucos minutos depois do meu telefonema, Minn desceu de um táxi à porta do prédio onde vivíamos e desatou a correr pelas escadas até ao sexto andar. Esperar pelo elevador era demasiado tempo para a sua aflição.
Entrou de rompante no apartamento e dirigiu-se sem demora à cama de Denz. Entre Minn e Denz havia uma intimidade que eu não me atrevia a julgar nem a classificar. Era como se mais nada em redor fizesse sentido, como se apenas se pudesse salvar o fio que ligava as suas almas. Almas. Mais do que corações.
Permaneci na sala de estar, enquanto as suas conversas murmuravam no segredo que a porta aberta só não me revelava porque eu era incapaz de ouvir o que diziam. Era como se não estivesse a poucos metros das suas palavras nítidas, ainda que ciciadas. Tão nítidas e perfurantes que cheguei a pensar na possibilidade de recorrer a dois tampões para os ouvidos a fim de me isentar de um diálogo que não me pertencia.
Esta era a nossa forma de viver sem ciúme, sem ressentimento, sem distância. Unia-nos o espaço de entrega onde habitávamos, independentemente do limite estipulado pelos corpos.