Ontem, estive ao telefone com Jez. A sua voz soava mais distante do que nunca. Apagada, submissa, triste. Tinha dores e explicou que estava com dificuldades em mexer-se. O seu discurso chegava-me carregado de névoa. Perguntei-lhe o que se passara, por onde andava, contudo pouco fiquei a saber. As explicações que me deu eram confusas e vagas. Pedi que me dissesse onde se encontrava, mas as suas respostas davam conta de faltas de nexo e contradições.
– Diz-me o sítio, dá-me o nome de um lugar… – suplicava eu na minha carga de nervos. – Há muito tempo que não sabemos de ti. Por que não contactaste mais cedo?
A minha insistência não ajudava. A partir de certa altura, percebi que Jez se esforçava por me transmitir indicações, só que a péssima ligação telefónica foi subitamente torpedeada por ruídos que impossibilitavam qualquer compreensão.
Não contei nada a Larj. Se o fizesse, aumentaria a sua angústia e nada resolveria. Decidi guardar segredo do telefonema que recebera até obter a localização de Jez e saber exactamente o que lhe sucedera.