Que seria de mim se não fosse a escrita? Como poderia compreender as pessoas e o que se passa à minha volta? Que sentido teria o que vejo, o que imagino, o que recordo? Que formas tomariam o meu corpo e a minha alma?
Se não juntasse letras em sílabas, se não reunisse sílabas em palavras, se não agrupasse palavras em frases, seria como se não comesse, não dormisse, não respirasse. Não saberia para onde me voltar, a que barco me segurar, que rota seguir.
Sem a escrita, seria a escuridão a inundar toda a parte, o barulho infernal a encher a paisagem, o nevoeiro eterno sobre a claridade do sonho. Nada haveria que fosse alcançável, nada teria consequências. Como se a escrita fosse uma responsabilidade.