O amor é sempre maior do que nós. Não faria sentido se não o fosse. Só sendo maior do que nós exige o que não exigiria se equivalesse ao espaço e ao tempo do eu. Neste último caso, não seria preciso dar um passo para o conquistar, não se justificaria mexer uma pestana, não faria sentido sequer o esboço de um sorriso.
O amor é uma transcendència. Só o alcançamos superando a pobreza do indivíduo, crescendo para lá de egoísmos e rancores, optando pelo outro e pelo encontro que nos proporciona.
Mesmo quando pensamos que os resultados não surgem, mesmo quando tememos perder o desafio, mesmo quando sentimos que nada vem alterar a nossa rotina, há sempre um percurso que fica registado e que deixa a sua marca algures numa zona de construção em nós.
Ontem, uma pessoa amiga pediu-me que lhe recordasse uma certa definição de amor de que lhe tinha falado num momento do Verão passado à beira-mar. Como não consegui lembrar-me da definição exacta de então (as definições esvaem-se sob os pés na areia) pensei no que agora escrevo.