Denz sentava-se a um canto da sala como se houvesse ali uma lareira, que nunca houvera, junto à qual se aninhava e metia um dedo na boca para acariciar o único dente natural que lhe restava. Preferia estar livre de artifícios, sem óculos, sem aparelho auditivo, sem peruca, sem prótese dentária, a fim de pensar com total dedicação o emaranhado da sua vida.
Quando lhe apetecia mudar de sítio, levantava-se e punha música a tocar, que acompanhava com uns leves passos de dança, como se não quisesse correr o risco de verem o modo como preenchia o seu abandono.
Se o telefone tocava, não atendia porque era incapaz de ouvir o que diziam do outro lado; se batiam à porta, não abria, com receio de que pudesse ser alguém com más intenções; se Minn, aparecia, levantava-lhe a bengala e ordenava-lhe que fosse dar uma volta. Desde que o relacionamento a três se havia desfeito, recusava-se a aceitar a presença de Minn, a quem responsabilizava pelo meu afastamento.
Depois, voltava ao seu canto e punha-se a choramingar por ninguém lhe dar atenção.