Jez fazia as coisas vibrando com os outros, dedicando-lhes a sua agitação interior, desejando transmitir felicidade em volta, mas quando chegava a altura de partilhar a alma com as pessoas de quem gostava apercebia-se de que havia frieza e distância nas reacções. Era como se lhe atribuíssem uma intenção diferente da que realmente tinha, como se desconfiassem dos seus projectos, como se não acreditassem no que dizia. Não questionava o valor das suas amizades, mas sentia que travavam num certo limite. E toda a dedicação de Jez era no sentido de superar constrangimentos. Faltava-lhe companhia nessa ambição.
Habituou-se à ausência de solidariedade no que tocava às suas ideias, à ausência de diálogo sobre o que via, analisava, conjecturava. Conformou-se ao vazio no terreno das noites em que se deixava afundar sem cuidados nem protecções. Com o tempo, Jez verificou que tinha cada vez menos olhares em seu redor. E se pedia ajuda a alguém, obtinha a resposta invariável de que talvez depois.