sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Enquanto ontem passeava num centro comercial, dei-me conta de que as vozes e sons que me chegavam de todas as direcções faziam parte da minha existência naquele momento e sempre. Senti que me invadia uma ambiência da qual o meu tempo saia particularmente enriquecido.
Como pudera não me aperceber antes de uma realidade com tamanho peso e significado? Como pudera passar ao lado daquela presença tão determinante? Quanto terei perdido no passado por ignorar uma tal expressão do outro na sua vivacidade? Como poderei não ter tido consciência do poder de semelhante vibração? E por que só agora ouvi aqueles sons e aquelas vozes? Precisará o comum dos mortais de viver mais de cinco décadas para adquirir a noção ampla do que o rodeia?
Esta série de perguntas nem por isso impediu que me apropriasse de uma plenitude que nunca antes experimentara. Uma realização de leveza, que me levou a passear diante de montras, como se no brilho de cada uma houvesse resposta para o sentido último do pensamento que pode haver na breve expressão de um instante.