Jez vivia sentindo que as suas noites nunca cairiam no abandono. Por mais que arriscasse, convencia-se de que haveria sempre alguém por perto para lhe dar a mão, para amparar os efeitos das suas aventuras desmedidas.
As pessoas estavam em todo o lado e a sua capacidade de ir além das forças que detinha parecia não ter limites. Mesmo quando não se vislumbrava vivalma em redor nas noites em que até as lâmpadas dos candeeiros públicos denotavam falta de motivo para iluminar ruas e praças, Jez seguia o caminho que lhe surgia pela frente.
Se não via caminho, agarrava no telefone e falava com quem primeiro lhe acudisse à chamada. Entre inúmeras possibilidades, havia sempre alguém disposto a ouvir o que tinha para dizer. Era essa a razão por que não se cansava de coleccionar gente amiga.
Começava por testar o piso da conversa e ia resvalando nas suas irregularidades até perceber que alcançara terreno consistente. Nessa altura, disponibilizava-se para visitar a pessoa, uma sugestão geralmente bem acolhida. Mas a intenção de Jez era apenas encontrar companhia para a noite. Não se preocupava com afectos. Apenas com disponibilidade e abertura.