Que palavras devo escolher no seu infinito? Ainda nem tinha acabado de formular a pergunta e já a resposta me havia escapado por entre as mãos, quando o vento passou naquela parte da cidade para arrastar consigo o brilho das peles de toda a gente que estava entretida a pensar em outras coisas.
Depois, tive a impressão de que algo se atravessava diante dos meus olhos, apesar de eu não lhe divisar a forma.
Desatei a correr na direcção do lugar impossível que sabia haver à minha espera cerca de meia dúzia de ruas para norte.
Em meu redor, como se para que eu corresse ainda mais, ouvia apitos, travagens, vozes iradas, assobios, tambores, entre outros sinais de que alguma coisa estava para acontecer. Dentro de minutos, se tanto.
Só faltavam trombetas para que os ares se enchessem. Ninguém se entendia. Nem eu tinha a menor ideia sobre o motivo por que havia desatado a fugir daquela maneira. Deve ter sido um pressentimento.