terça-feira, 22 de março de 2011

Denz quer desistir. Afirma que não se consegue enquadrar, que Minn e eu lhe trazemos confusão, que não faz sentido estar com duas pessoas ao mesmo tempo, que não está para repartir a sua alma, que só admite entregar-se na totalidade e não parcialmente, que não sabe de quem gosta mais, que se sente um empecilho, que Minn e eu nos entendemos na perfeição, o que remete os seus sentimentos para um plano de secundarização com o qual não é capaz de viver.
Replico que o amor não deve ter limites nem critérios pré-estabelecidos, porque só assim pode ser crescente e leve, não encerrando portas, nem excluindo. O amor, defendo, apenas se justifica que seja inclusivo. O mal das pessoas é encararem-no de forma exclusiva, egoísta, possessiva, o que enche o mundo de solidões imensas, gente ressentida, pronta a odiar, a não tolerar.
No fundo eu considerava que Denz estava a fugir da felicidade que tanto dizia perseguir. Fazia como toda a gente. Virava as costas à plena entrega, à viagem da descoberta, à vibração sem reservas.
Mas Denz não me deu ouvidos. Disse que esperaria pela chegada de Minn e que teríamos uma conversa a três para resolver o assunto sem meios termos.
Nessa noite, Minn demorou e Denz fartou-de de cirandar pela casa sem saber exactamente o que fazer. Esteve horas sem me dirigir palavra, apesar do meu discurso positivo e abrangente. Denz envolvia-se de tal forma nos relacionamentos que acabava por perder a visão discernida. Era capaz de amor inteiro, mas não consentia na sua partilha.