quarta-feira, 23 de março de 2011
Nobe vivia cada momento na certeza de que tinha à sua frente um tempo pleno de realizações. Percebia-se que era assim pela forma determinada como encarava cada decisão que tomava. Transpirava confiança nas relações, nas acções, na maneira como seguia nesta ou naquela direcção. Mesmo quando fazia algo menos bem, não deixava de avançar como se soubesse que mais adiante a sorte lhe sorriria ou que as suas capacidades seriam bastantes para fazer mais e melhor. Não desistia. Quando lhe davam a entender que talvez não fosse a pessoa mais indicada para esta ou aquela tarefa, prosseguia como se nada fosse, como se não restassem dúvidas de que a opinião alheia era deficitária acerca das suas reais competências. O erro era de quem não lhe reconhecia os méritos. Nobe via com nitidez o que o futuro lhe traria. E mesmo quando a sorte desmentia a sua convicção, mesmo quando tudo desmoronava nas horas somadas da sua vida, acreditava, bem no íntimo, que a noite guardava em si uma luz que não lhe seria estranha.