Nobe não chegou a perceber como acabou por cair dentro daquele carro. Tinham atirado o seu corpo como um saco para o chão do veiculo e havia alguém que rapidamente lhe pusera uma bota sobre o rosto de forma a impedir o seu instinto de se levantar. Era possível que houvesse também uma arma por ali perto, a avaliar pelo cheiro que invadia o automóvel. Nobe ouvia a forte aceleração do motor, mas não conseguia saber mais nada. A escuridão dificultava qualquer esperança.
Iam apenas três pessoas no carro e a que seguia no banco de trás tinha a incumbência de impedir os seus movimentos. As conversas resumiam-se a pouco. Apenas as suficientes para se entenderem quanto à forma como se desembaraçariam da carga que transportavam.
Fizeram uma paragem, mas só uma pessoa saiu do veículo, tendo voltado pouco depois com notícias desanimadoras. Pelos comentários, percebeu-se que era preciso seguir para outro destino, onde então se faria a descarga.
Mais de duas horas depois, o carro deteve a sua marcha e o motor foi desligado. Seguiu-se um silêncio que há muito não se ouvia. Dava a ideia de que tinham chegado ao coração de um imenso deserto sem nome.