sexta-feira, 4 de março de 2011

Passo por uma criança que sobe uma ladeira, vergada ao peso da bicicleta que empurra, e pergunto-me em que pensará enquanto não atinge o momento de voltar a sentar-se no assento sobre as duas rodas que hão-de acelerar a chegada ao seu destino.
Alguma coisa sentirá no passo a passo vagaroso que a noite faz descer sobre a ladeira. Devem ter-lhe pedido para se deslocar a algum sítio com fins de realizar qualquer tarefa, ou se calhar regressa apenas da escola e vai pensando no que dirá em casa quando abrir a porta e entrar, por causa do peso que transporta na consciência e cuja verdade receia contar.
Mal consigo tempo para imaginar o que sucederá então. Em poucos segundos deixarei de a ver e será como se nunca tivesse chegado a existir.