Perdi-me dos percursos romanescos por uns instantes de noite, mas este subtexto é caminho para tudo. Por vezes perco-me sem ter noção de que me perco e outras vezes encontro-me pensando que o norte me fugiu sem apelo.
As personagens com que lido ora derivam da invenção ora derivam do real, mas não há forma de fazer que não interfiram na minha vida.
Umas vezes escrevo o real, outras vezes escrevo irreal, e outras vezes ainda escrevo os dois planos em simultâneo, o que me transporta à liberdade de uma terceira dimensão, de onde parto para instâncias remotas, nas quais dificilmente me reconheço e posiciono.
Nunca sei ao que vou. Não sei quando entro ou quando saio, quando me esforço ou quando descanso, quando falo ou quando me torno silêncio. A escrita multiplica-me de um modo que ignora tempos e normas de discurso. Continuo por saber como foi possível.