terça-feira, 12 de abril de 2011

Sur apertou a cabeça de Nobe entre as mãos e disse:
- Vou encher-te de comida. Vais comer como nunca comeste! Vou amar-te como nunca te amaram.
Nobe deixou-se apertar, deixou-se atrair por Sur e sugeriu que comessem na cama. Foi quanto bastou para que, logo a seguir, a cozinha se enchesse de um barulho doce de pratos e água a correr.
Há anos que Sur e Nobe se conheciam, mas nunca se tinham aproximado como naquela noite, nunca se tinham compreendido assim.
- Não posso esperar mais... - disse Nobe, em voz suficientemente alta para obter uma reacção por parte de Sur que, da cozinha, respondeu que estava quase. Só um pouco de paciência.
Quando veio com a comida, Nobe agarrou-lhe os braços, puxou-os para a cama, fazendo a bandeja tropeçar, e apropriou-se dos seus lábios e boca com um sentimento de plenitude que varreu as sombras do quarto para os fundos da escuridão distante.
- Apanhei-te! Apanhei-te! - dizia Sur nos intervalos da respiração, enquanto se beijavam, e Nobe se entregava, sem reserva. Nem pio.