Sento-me num banco da avenida da Liberdade e deixo-me ficar ali a observar o infinito que sai dos meus olhos, como se mais nada me pudesse acontecer doravante. Não tenho fome, nem frio, nem sono, nem cansaço.
Há tanto a acontecer em meu redor que é como se nada pudesse interferir comigo, como se não houvesse qualquer hipótese de alterar o futuro que defini para todos os que habitam este romance. E não há.
O que me aguarda vem decidido de trás. Não pode ser corrigido porque os dados estão lançados e agora não me resta forma de mudar os seus destinos.
A avenida mergulha no som dos carros que circulam indiferentes sem parar. Surgem-me nomes de pessoas amigas que o tempo fez desaparecer. Não tenho mágoa, nem saudade. Só miro vagamente, como quem desistiu de fazer contas.