Dres ria muito e eu não lhe ficava atrás. Não sabíamos porque ríamos, mas também não encontrávamos motivos para não o fazermos. Chegámos a trocar opiniões sobre isso e o nosso relacionamento nunca deixou de ser fiel a esse padrão.
Acabáramos de nos conhecer e era como se sempre tivéssemos sabido do passado que nos trazia e do destino que nos aguardava.
Dres reflectia esperança em todos os ângulos do rosto. Ao fixar as suas expressões, havia uma luz que me inundava, enchendo-me de ilusão, como se aquele momento fizesse parte de um filme.
Tínhamos entrado numa espécie de restaurante onde era difícil separar as pessoas nas mesas. Os corpos ocupavam lugares próximos, aconchegados, quentes, prometedores, fazendo a confiança transbordar dos jarros de vinho, sopas fumegantes, pratos de carne assada ou iscas.
No meio de tanta conversa e excitação, Dres contava-me coisas de Lisboa, de gente amiga, da universidade, dos sítios que frequentava, dos planos que arquitectava e que teriam o condão de se realizar com precisão milimétrica.