Rasguei o trilho dos primeiros passos e depois desvaneci-me. Fiquei algures ali pela zona de Santos, à procura de qualquer coisa, tentando encontrar um rumo, um sítio onde me pudesse reposicionar.
Era o alvor da primeira noite. As luzes começavam por incendiar as portas abertas nos seus barulhos de vozes inúmeras e sobrepostas. Vozes como histórias que nunca mais acabavam.
Eu perdia-me de olhares por quem passava, como se pedisse ajuda, mas ninguém se incomodava comigo.
Lisboa corria como um galo foragido da capoeira. Um fogo correndo na noite vibrante.
Mais tarde, quando eu já não sabia o que fazer ou pensar, chegou Dres, com cara de atraso. Pediu desculpa, fomos dali e desaparecemos na primeira porta que nos surgiu.