É pela escrita que me questiono, me coloco em dúvida, me pesquiso.
A escrita é o meu espaço de confronto e desafio. É o meu outro. O meu pecado, o meu remorso e castigo.
A escrita dói, mas não se pode evitá-la. Nem a dor nem a escrita. Fugir de uma é perder a outra.
Sempre que procuro escapar à dor, dou por mim doente, renegando a escrita. Nem pareço eu, sem saber por onde seguir.
Quando falta a dor, não tem sentido escrever. É um despojamento, uma insanidade. Nada fere. Nem lágrimas, nem riso.
Escrever é um doer, um ir atrás, rasgar, cortar. Matar, se preciso for.