Há uma casa que me recebe em permanência. Uma casa que não ocupa lugar nem exige conforto, que não precisa de telhado, nem paredes, nem portas, nem móveis, nem prateleiras.
É a casa de que alguma vez mais gostei. Abre-me a toda a parte.
Resume-se a uma janela, onde tudo se passa, onde a própria palavra discorre nos meandros das sombras vindas de dentro das luzes para rasgar a noite nos seus corredores esconsos até aos intervalos do ilimite.
Casa sem dimensão, como a eternidade, que nela cabe o mundo inteiro, ou quanto a janela alcança, bem longe no espaço da visão.
Posso transportá-la para todo o lado, esta casa. É a sua maior vantagem. Leve e ligeira como o vento, à procura de destino na boca das palavras.