sábado, 28 de maio de 2011

Há uma casa que me recebe em permanência. Uma casa que não ocupa lugar nem exige conforto, que não precisa de telhado, nem paredes, nem portas, nem móveis, nem prateleiras.
É a casa de que alguma vez mais gostei. Abre-me a toda a parte.
Resume-se a uma janela, onde tudo se passa, onde a própria palavra discorre nos meandros das sombras vindas de dentro das luzes para rasgar a noite nos seus corredores esconsos até aos intervalos do ilimite.
Casa sem dimensão, como a eternidade, que nela cabe o mundo inteiro, ou quanto a janela alcança, bem longe no espaço da visão.
Posso transportá-la para todo o lado, esta casa. É a sua maior vantagem. Leve e ligeira como o vento, à procura de destino na boca das palavras.