Há uma escrita atrás da escrita, uma escrita que se esconde, que se deixa entrever, que se deixa adivinhar ou pressentir. Por vezes, espreita para logo desaparecer, e não mais volta a mostrar-se.
É uma escrita que tanto pode estar relacionada com as palavras visíveis como não estar.
A escrita que há atrás da escrita é aquela que teve intenção de ser passada a letra de forma, mas que acabou por o não ser. Por qualquer razão ficou escondida, esquecida, adiada, na sombra das palavras que se formaram, que ganharam corpo, que se impuseram.
A escrita que não chega a ser concretizada é, muitas vezes, a que mais conta, a que tem mais peso, a que tem mais influência, porque, ao manter-se inacessível, distante, intocável, nem por isso deixa de existir, conseguindo influenciar, pressionar, condicionar, sugerir, apontar vias.