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As cidades por onde passei e vivi foram-me sempre adoptando. Os mapas de Lisboa, Providence, Pawtucket, New Brunswick, Austin, Toulouse estão tatuados na pele dos meus ossos. As lembranças dos seus becos, ruas e praças hão-de acompanhar-me sempre, até no canto mais esconso do caixão onde seguirei para me entregar às trevas do fogo. Levarei comigo para toda a parte as suas luzes, ruídos, paixões, lampejos, cores, pecados, tentações, praças, esplanadas, pensões, beijos sobrevoando noites e camas, promessas eternamente renovadas, risos sobre risos, sem lágrimas derramadas em soluços e mágoas.
Nunca pensei encontrar tanto amor, tanto desejo, tanta necessidade de estar perto, tanta alegria rebentando em atmosferas de esquinas benfazejas.
E acabei por perder a noção das origens. Fui esquecendo, aos poucos, as conversas distantes que o mar naufragou. Em troca do bulício nas cidades onde me reergo.