segunda-feira, 27 de junho de 2011

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Acompanham-nos sempre, mesmo depois de partirem. Permanecem ao pé de nós, ainda que não nos demos conta da sua presença. São como flores de açúcar em suspiros mudos à nossa volta. Sabemos que arfam, mas nada ouvimos, para que o silêncio seja maior, mais fundo na sua proximidade.
Se não vemos quem nos acompanha é, muitas vezes, por estarmos tão perto que não conseguimos distinguir as suas figuras e feições. Seria necessário que se afastassem para conseguirmos divisar-lhes os contornos e reconhecer-lhes as identidades, mas não o fazem porque não admitem qualquer dúvida sobre a sua existência e sobre a forma como nos seguem, por aqui e por ali.
É a oportunidade que temos de aprender essa outra maneira de estar prolongada nos tempos, para que, adiante, também possamos fazer companhia aos que amamos, encostando-nos aos seus gestos, como aves suplicantes de colo.