quarta-feira, 15 de junho de 2011

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Quando partimos de um lugar, deixamos para trás olhares penados, ramos inclinando-se nas árvores, carros de ar adormecido nos parques de estacionamento ladeando a estrada que nos conduz ao aeroporto, casas de paredes húmidas debruçadas até ao momento preciso de desaparecerem, nevoeiro baixo sobre a planície verde e longa que há-de vir depois, claridade escurecida de muitas noites jamais reveladas no íntimo de anos cerzidos em nós.
Partir é fazer chorar de inquietude a terra que, no recôndito da alma, não nos quer ver mais. E toda a gente há-de desaparecer nas suas janelas fechadas de distância.
Ninguém dará pela nossa ausência. Como se tivéssemos deixado de existir. Como se não contássemos. E não existimos. Nem contamos.