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Quando se inicia a escrita de um romance não há possibilidades de parar. A primeira noção que se perde é a da porta pela qual se entrou. Olha-se e já não se sabe o que aconteceu, já não se encontra o que quer que seja que nos possa servir de orientação.
De um instante para o outro, é tudo novo, tudo imprevisível, tudo aberto a um mundo desconhecido. Avançamos pelo caminho que se nos depara e vemos que as cores são novas, as dimensões, as vozes.
O espaço move-se segundo outras regras, bem como o tempo, as percepções, os alcances, as pesquisas, as imagens que guardamos sem pudor. As próprias leis do desejo se alteram, levando-nos a trilhar veredas inéditas, a explorar vertentes sobre as quais não tínhamos qualquer ideia, a compreender formas de estar que em circunstância alguma havíamos antes ponderado.
E surge o discurso despojado do banal, surge o corpo da noite multiplicando-se.