154
As palavras não se perdem como forma de continuarmos nelas. São fios de luz amanhecendo todas as vezes. E seguem na direcção do que nos contempla e redime.
Falo de palavras porque não sei falar de mais nada. Falar de outra coisa seria fugir ao que me rodeia e aflige. Seria enganar-me, esquecer-me.
Adiante há um tempo vasto que não explicaremos, nem sequer no encontro de cada um que decide partir, em busca de sonho e de sossego. Como se nada ficasse por viver.
As palavras também choram. E as garças na areia que debicam.
Era Verão. As horas escorriam por toda a parte e não faltavam sinais nos corpos providos de luz vulnerável.