Receberam as crianças, vestiram-nas, deram-lhes de comer, brincaram com elas. Chegada a noite, embebedaram-nas e mataram-nas. Degolaram-nas. Estriparam-nas. Enterraram-nas.
Li em "Braço Tatuado" de Cristóvão de Aguiar, obra publicada em 2009 por Publicações D. Quixote.
A citação não é literal porque não recordo os termos exactos da descrição. E não voltarei ao livro para reproduzir aqui as palavras com fidelidade porque não sou capaz de encarar outra vez semelhante momento de escrita.
Conto apenas o que memorizei. A forma do que me ficou. O que consegui reter com os olhos fugindo das páginas, tal a impossibilidade de suportar o que lia.
Neste caso, decido que a exactidão pouco importa. Se não sucedeu precisamente como digo, sucedeu parecido.
O acto foi cometido em África pelas tropas portuguesas, na década de 60 do século passado.