Parecia milagre ter arranjado casa em Lisboa ainda antes de haver chegado à estação. Terr era o nome de quem lhe oferecera alojamento. A troco de nada. Só pelo seu sorriso, como tivera o cuidado de sublinhar.
Para Irs, ainda havia pessoas que transbordavam bondade nos seus actos de cada dia. Ao ponto de nem terem maldade na forma de comunicarem. Irradiavam bem estar à sua volta. Irs sentia-se uma pessoa nova. Aquela viagem trouxera-lhe um novo ar em todos os movimentos.
Deixara para trás o ambiente tenso que grassava na casa onde nascera e crescera. Saíra sem dar contas a ninguém, mas não lhe restavam dúvidas de que a sua falta não seria particularmente sentida. O mais certo era nem avisarem a polícia.
Terr tinha um rosto aberto e atraente, olhos grandes e claros, cabelo quase louro. Falava pouco, mas dizia muito em cada palavra. E Irs não deixava de beber cada sílaba da sua pronúncia.