quarta-feira, 13 de julho de 2011

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Larj surgia por entre as gentes vindas daqui e dacolá, sem programa nem destino. Chegavam e punham-se a conversar, rir, perguntar por perguntar. Umas mais despidas do calor, outras menos. Ninguém tentava perceber com exactidão o que acontecia, o que alastrava na mente de cada um. Pelo menos era o que parecia.
Olhando Larj, eu deixava-me cativar pela visão da sua amplitude, seguindo-lhe os passos leves por entre os movimentos de corpos em busca de sentido. Via os seus sorrisos quase constantes e sentia-me parte deles, apesar de saber que levavam outras direcções e alvos. Mas era como se Larj só tivesse olhos para mim. Sentia-me maior em cada um dos gestos que esboçava. O seu cabelo de caracóis miúdos esvoaçava na noite e prolongava-se por tempo infindo.
Não tinha necessidade de me aproximar. Bastava ver Larj para me apoderar do que rodava no mundo, como se esta fosse a via de um recomeço.