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O nada cairá sobre mim como uma chuva sem tréguas no seu capote pesado e negro arrastando-se de sombras que me sulcam e fustigam.
Verei ao longe o tempo alardeando, o vento rondando, para que nada me abrigue, nada me perturbe ou interrogue.
Trarei essa lembrança vaga ante os olhares perdidos quando a multidão avança na sua loucura de partir.
Não terei poiso onde quer que me detenha. Nem razão ou alimento.
Virão aquietar-me ao fim da noite, sob os fios da ondulação, tecendo melodias de crença antes dos cães latindo na sua deriva.
Encontrarei no frio o meu recato e as palavras ditarão a vida que me cabe seguir. Não haverá outra. Só esta dor para me amparar, como se eu visse os campos ardendo junto das portas que abrem a cidade na sua escuridão explodida.
E sobre o meu corpo tombado hão-de vir derramar óleos e bênçãos, enquanto a noite caminha de aventuras e folguedos, entre conversas e brindes com destino a tempo nenhum.
Pensarão que minto, ou exagero. Mas escrevo apenas a verdade que há na matéria de cada um sobre os meus ossos.