sexta-feira, 29 de julho de 2011

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Tive momentos em que esqueci tudo o que era possível esquecer. O mundo podia cair, mas eu não queria saber. Entregava-me de corpo e alma, fazendo o que não podia deixar de fazer, como se não soubesse fazer outra coisa.
Não admitia que a mais leve ideia me passasse pela cabeça, avançando para o abismo puro de pés bem assentes no chão. Nada me interessava a não ser aquele instante exato que se prolongava por não sei quantos atropelos de tempo.
A claridade da lua entrava pela janela para me dilacerar o peito com as suas garras de veludo, fazendo-me sentir que a felicidade era o que eu tinha diante de mim e que tudo o resto poderia ser dispensado.
A minha vida inteira encontrava o seu resumo naqueles encontros que tinham a grandeza da eternidade e que tomavam conta do meu cérebro, do meu corpo, sem exceção de qualquer célula ou músculo.
Dava o meu sangue, o meu suor, o som que vinha do mais fundo.
Nem uma palavra dizia. Sílabas talvez. Interjeições. Letras desgarradas no espaço fulminante da brancura. Como se não houvesse lugar a sentimentos.
Eu só queria que a noite não acabasse e que as forças não me abandonassem. Só desejava ser superior e inesgotável. Resistir por horas infindas. Libertar-me sem remissão.