domingo, 21 de agosto de 2011

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Oiço a voz de Eid na distância como a de um pássaro pedindo ajuda. Pergunto como se sente e obtenho a resposta de que tudo decorre da melhor forma. Todavia, percebo no seu falar um tom baixo que me preocupa. Volto a insistir na pergunta para ter a certeza de que o seu ânimo está em alta, mas logo compreendo que devo moderar a insistência, a fim de não lhe causar irritação.
Eid quis saber do meu estado de espírito e eu disse a verdade. Disse que tinha saudades de estar na companhia dos seus risos e brincadeiras. E expliquei que estava a pensar ir até à praia, para procurar alívio do muito calor que se fazia sentir.
– Também quero ir – disse Eid, embora sabendo que não tinha autorização para tal.
Senti a noite inteira derramada, uma náusea mal definida, ao pensar nos constrangimentos a que a sua existência estava votada e sugeri que procurasse obter consentimento para me acompanhar, nem que fosse por uma hora ou duas.
Eid disse que ia tentar, mas adivinhei que não se sentia à vontade para o fazer e que, provavelmente, se conformaria com a minha ausência.