quinta-feira, 18 de agosto de 2011

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A ribeira corre nos meus ossos enquanto espero que o sono complete a sua entrega ao esquecimento de vagas minúcias que se embrenham para melhor me definirem.
Ninguém passa na rua a esta hora da noite. Só o calor impera nos telhados onde não há brisa que se veja nem corda retesada de violão para amolecer.
Nada me constrange. Nenhum problema, nenhuma dúvida, nenhum temor.
A ribeira corre levando na sua euforia a alma de tanta gente e eu assisto ao seu devaneio sem nada poder alterar do que explica o tempo em construção.
Daí a pouco há-de passar um gato furtivo sobre o muro, como se adivinhasse o perigo que vai encontrar adiante. É um avanço de silêncio tresandando a mágoa, para que em cada um dos seus passos haja uma compreensão maior dos sinais.
Da ribeira não chegarão notícias, nem ruídos assanhados ou fugas de ameaças que a noite omitirá. Só aquele som cortante de macieza atravessando a minha espera.