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Um romance, para ser romance, não pode excluir o que quer que seja. Nem o erro, nem o caos, nem o que acaba por perder sentido ou sequer o que nunca chegou a ser esboçado. Tem de revelar discursos omissos ou expressos, pensados ou apenas desejados. Tem de revelar dúvidas, contradições, desistências, faltas de nexo.
Um romance é hesitação, errância, busca sem termo, silêncio absurdo, dor desprovida de causa.
Se assim não fosse, de que valeria escrever, construir, perseguir, investigar, imaginar, confundir, destrinçar? De que valeria registar, linha a linha, a invenção da sensibilidade que invade as noites quando tudo se esbate e se esconde e se evade?