quarta-feira, 10 de agosto de 2011

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Sigo de mãos agarradas na minha tábua, enquanto as águas rodopiam tresloucadas em redor, com espumas fedorentas saltando, restos pastosos cirandando, plásticos encardidos boiando, e até uma banheira de criança deslizando em deriva como se fora atrás de um balão perdido na brisa.
Não posso deixar fugir a tábua a que me seguro, se quiser ter hipóteses de viver mais um tempo, para conseguir chegar a casa de Reth, que me espera há uma série de horas.
Combinámos falar sobre o que nos afastou nos últimos anos, mas quando ia de viagem para sua casa deixei-me cegar pelos faróis de um carro que vinha em sentido contrário e saí da estrada, despenhando-me no rio, que agora me arrasta no sabor da sua fúria indómita.
Aqui vou, então, no destino da minha tábua, olhando em todas as direcções, na esperança de avistar Reth em alguma curva da margem, a agitar um lenço, uma mão, um bocado de qualquer coisa.