terça-feira, 25 de outubro de 2011

107
Era noite escura, mais escura que as noites completamente escuras do mundo. Em frente, porém, sobre o lado esquerdo, via-se um candeeiro de rua que iluminava o espaço diante da casa na qual eu me preparava para entrar.
Quanto mais o candeeiro iluminava, mais escura se tornava a noite e menos provável se tornava a concretização do que eu tinha na ideia.
A rua estava deserta e a casa apresentava portas e janelas fechadas, como se ninguém alguma vez a tivesse habitado ou sequer tivesse a intenção de a vir a habitar.
Hesitei sobre que passo dar a seguir. A escuridão favorecia-me, mas o abandono que enchia tudo em redor preocupava-me.
O candeeiro transbordava de inquietação. A sua luz desassossegava-me.
Veio um vento assobiar diante dos meus olhos. E, de repente, as horas contorceram-se, enquanto não havia maneira de chegar o sinal.