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Agora, voo com uma asa, apenas, e o ar trepida sob o meu corpo deslizando na corrente da escuridão fugidia. Agora, não tenho perdão, nem alívio, nem esperança.
O céu carregado sobe nos meus braços sem que alguém se apiede para me ajudar, sem que alguém me dispense um vago aceno de mar ou de luz.
Outubro é o mês da vastidão nas cidades, quando toda a gente chega e quer saber, mas eu estarei dormindo na ausência calma, com as águas refluindo na lembrança do que virá.
Não subsistem fogos. O calor esvai-se grão a grão na senda do que ficará por esclarecer. Como se eu vivesse em busca de Lisboa, entre o largo de Santos, a avenida de Ceuta, o Rato, o jardim da Estrela, para fugir das marcas que os lugares me deixaram.
Agora é a noite em que alguém vai morrer e eu esperarei que me levantem das pedras do chão. Lá, onde os espaços confluem em preces de silêncio.