sábado, 8 de outubro de 2011

112
Não sei se era eu que dizia alguma coisa ou se era C. de Aguiar. Estávamos numa esplanada a conversar quando apareceu um vulto munido de câmara fotográfica e mão estendida para mim, sorrindo. Vi um rosto que me fixava, à espera de que eu me desse conta do seu nome, voz, percurso, história.
Em breves segundos, procurei calcular quem seria, ou não seria. O meu olhar incidia de baixo para cima e havia algo na sua expressão que me parecia diferente da pessoa que eu recordava.
Então, numa brecha de segundo dei-me conta de estar na presença de E. B. Pinto, amizade desaparecida na distância de uma cidade canadiana.
Levantei-me, cumprimentámo-nos e trocámos palavras breves, com a intenção imediata e nítida de desfazer muros, equívocos, confusões. Senti que o tempo exercera os seus efeitos. Não havia ressentimentos. E o coração não me saltou.